domingo, 14 de junho de 2009

Amor e seu tempo

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.
Carlos Drummond de Andrade

2 comentários:

Contracena disse...

Gosto tanto de Drummond! E esta poema conheço muito bem! :)))

Beijinho Aline.

Aline C. disse...

Eu tbm sou uma admiradora de Drummond.
Muito obrigada pela tua visita, sempre!

Bju